tudo tão.
orgulha-se da capacidade de falar dos sentimentos sem melindre. é assim desde a meninice. e tornou-se mais disso após a partida precoce de um amor igualmente precoce. a despedida já tem quatro anos. o orgulho tende a ser imortal. pelo menos enquanto durar. ou permitirem durar. porque durar, permanecer, tem sido cada vez mais difícil. tudo é tão falado - e ao mesmo tempo tão omitido. tudo é tão disfarçado. tudo é tão instantâneo. tudo é tão efêmero. tudo é tão. (tão que quase sempre é nada) tão orgulhoso de falar dos sentimentos, ouviu dia desses, numa conversa dentro de um carro parado num estacionamento de universidade, ser hora de parar. foi um ex-amor (à época, ainda amor) quem pediu. dessa vez, um amor nada precoce. porque falar dos sentimentos é criar um problema. ou vários, se preferir. é dar peso às coisas. é deitar uma palavra num canto que não existe. é exigir de quem nem sempre pode ou quer ou tem a oferecer. porque sim: às vezes, não há o que se ofere...